Antonio Penteado Mendonça
Antonio Penteado Mendonça

Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.

VAI PIORAR

A informação não é nova, nem inédita. Nas próximas semanas, a pandemia de coronavírus que assola o mundo deve ganhar intensidade no Brasil. 03 de Abril de 2020

A informação não é nova, nem inédita. Nas próximas semanas, a pandemia de coronavírus que assola o mundo deve ganhar intensidade no Brasil. O Ministério da Saúde sabe disso, as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde sabem disso, os governadores e prefeitos sabem disso e as pessoas lúcidas sabem disso. Não tem como ser diferente. Mas o quadro brasileiro, como foi colocado pelo próprio Presidente da República, é diferente do de outros países, especialmente as nações mais desenvolvidas. É aí que mora o problema: a diferença não é a nosso favor, é contra.

Dados insofismáveis permitem dizer que o número de casos está aumentado e que o aumento é mais rápido do que esperávamos algumas semanas atrás. No começo da semana passada, a Santa Casa de São Paulo tinha poucas vítimas de Covid19 em suas UTI´s, no hospital Central e no Hospital Santa Isabel. Além disso, por um bom tempo, teve apenas uma morte.

No final da semana passada, as UTI´s estavam cheias e o número de óbitos havia subido significativamente. Como além do coronavírus o país é palco de outras duas epidemias – gripe e dengue -, com sintomas capazes de serem confundidos com a Covid19, foram montadas tendas na entrada do Hospital Central para receber as pessoas e realizar rapidamente a triagem necessária para a adoção das providências para o atendimento dos pacientes com sintomas de Covid19.

O que está evidente é que a doença é rápida. Os quadros se agravam em poucas horas e a necessidade de entubar o paciente vai se tornando comum nas UTI´s, não só da Santa Casa, mas de todos os hospitais envolvidos no atendimento das vítimas da epidemia que começa a varrer o Brasil.

Como o país não testa a maioria dos pacientes, e os casos que são testados só têm o resultado dias depois, um grande número de pessoas é internada, e parte delas chega a óbito, sem se saber se a causa foi ou não o coronavírus.

Se os testes sem laudos pudessem ter os resultados confirmados rapidamente, ficaria comprovado que o país pode ter pelo menos 12 mil casos a mais de infectados pela Covid19 só no Estado de São Paulo. Mais triste ainda, o número de óbitos também seria muito maior. E não há dados confiáveis nos outros Estados.

A melhor forma de se vencer uma guerra é a informação. Saber o quadro real das forças e fraquezas do nosso lado e as circunstâncias que as afetam é tão importante quanto conhecer o inimigo, avaliar sua força, saber seus movimentos e como ele age. Lamentavelmente, o Brasil não tem informações confiáveis sobre a realidade do país.

Não tem noção do número de pessoas mais expostas, do resultado das medidas de prevenção e, o que é dramático, do número de pessoas infectadas. O país não sabe quantas pessoas estão doentes, quantas são transmissoras assintomáticas do vírus, quantas precisam de atendimento mais intenso, quantas podem ficar em casa. Também não sabe quais as regiões mais afetadas. Com esta soma de desconhecimentos fica sem poder planejar eficientemente as providências a serem implantadas nas diferentes regiões, os equipamentos e insumos necessários, além de ficar vendido nas medidas que devem ser adotadas para melhorar a logística e assim entregá-los a quem precisa em tempo hábil.

Importante lembrar que os planos de saúde privados estão fazendo sua parte e desafogando o SUS, permitindo que a saúde pública invista seus escassos recursos em quem realmente precisa.

Mas, justamente por estarem fazendo sua parte, atendendo seus segurados, as operadoras de planos de saúde privados estão sofrendo a pressão de custos que não foram previstos quando do desenvolvimento dos planos. Afinal, poucos gestores poderiam imaginar uma pandemia como o coronavírus.  Além disso, normatizações e proibições, que não cabem ser discutidas aqui, impedem que parte das operadoras comprem programas de proteção para suas carteiras. Assim, como boa parte dos planos não tem limitadores de exposição a riscos, se a pandemia continuar se espalhando, em breve poderemos ter planos de saúde privados sem caixa para atender seus clientes.