home / notícias / Caixa Seguridade capta R$ 5 bi em IPO com recorde de varejo

Caixa Seguridade capta R$ 5 bi em IPO com recorde de varejo

Papéis saíram a R$ 9,67, dentro do intervalo sugerido, e pessoas físicas ficaram com 55% do volume

Valor Econômico - 28 de Abril de 2021

O Valor Econômico informa que, empurrada pela participação recorde do varejo, a Caixa Seguridade captou R$ 5 bilhões em sua oferta inicial de ações, concluída ontem. Com isso, tornou-se o segundo maior IPO do ano até agora, atrás da CSN Mineração, que captou R$ 5,2 bilhões em fevereiro. Investidores pessoa física ficaram com 55% da operação, que foi a única, de março para cá, a ser fechada sem desconto em relação à faixa indicativa de preço para as ações.

Os papéis da holding de seguros da Caixa saíram a R$ 9,67, dentro do intervalo sugerido, que ia de R$ 9,33 a R$ 12,67. Com o mercado bastante volátil, as demais empresas que se arriscaram nas últimas semanas tiveram de reduzir suas pretensões ou adiar os planos de chegar à bolsa.

Para emplacar a operação em meio a uma nova maré hostil na bolsa, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, envolveu-se diretamente nas conversas com investidores e fez ajustes no desenho do IPO, de forma a torná-lo menor e mais palatável. O executivo também mobilizou funcionários e a rede de agências do banco.

A alocação ainda estava sendo feita na noite de ontem, mas, segundo fonte a par do assunto, a Caixa atraiu quase 150 mil pessoas físicas. Boa parte corresponde a clientes do varejo ou do private do banco e a colaboradores. Esses investidores ficaram com 55% da oferta, ou R$ 2,752 bilhões, o maior volume já registrado num IPO no país. Até então, o recorde em volume era da BB Seguridade, de 2013, quando pessoas físicas entraram com R$ 1,844 bilhão (16% do total).

A oferta também atraiu investidores globais. Entre eles, estariam nomes como Goldman Sachs Asset Management, GIC, Pictet, Wellington e Zimmer, de acordo com outro interlocutor. Os recursos irão integralmente para a Caixa.

Com o IPO, a Caixa se desfaz de pouco mais de 15% do capital da holding de seguros. No ano passado, o plano previa a venda de 25% da e havia a expectativa de que a subsidiária fosse avaliada em R$ 60 bilhões, mais ou menos o dobro do valor atual. O mercado ficou mais difícil desde então, o que mexeu no preço.

Por outro lado, o banco conseguiu implementar as parcerias com seguradoras que vão explorar o balcão da instituição financeira, uma demanda dos investidores. Morgan Stanley, Caixa, Bank of America, Credit Suisse e UBS BB coordenaram a operação.

Este é o primeiro de uma série de aberturas de capital que Guimarães pretende realizar. As áreas de gestão de recursos, cartões e banco digital estão no radar. Para isso, o executivo corre contra o tempo, já que é mais difícil viabilizar esse tipo de operação em ano eleitoral, como será o próximo.