Antonio Penteado Mendonça
Antonio Penteado Mendonça

Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.

OS HOSPITAIS ESTÃO LOTADOS

A soma do surto de gripe com o aumento exponencial dos casos de covid19, puxados pela variante ômicron, tem como consequência a lotação da rede pública e privada de hospitais no Brasil inteiro, mas especialmente no Estado de São Paulo. 28 de Janeiro de 2022

 A soma do surto de gripe com o aumento exponencial dos casos de covid19, puxados pela variante ômicron, tem como consequência a lotação da rede pública e privada de hospitais no Brasil inteiro, mas especialmente no Estado de São Paulo, que vai batendo recordes de contaminação diária, com números muito acima dos piores momentos do ano passado.

Não deveria acontecer, mas aconteceu. O país foi pego meio que de surpresa, apesar da variante estar contaminando Estados Unidos e Europa em patamares altíssimos. Foi como se os nossos estrategistas em saúde tomassem a variante delta como parâmetro. Por alguma razão transcendental, além da inteligência do ser humano comum, eles entenderam que a ômicron não chegaria com força e que teriam tempo para lidar com a gripe que já lotava os hospitais, com a variante H3N2 dando as cartas e se mostrando perigosa para o sistema de saúde e para as pessoas infectadas.

Com centenas de pessoas procurando diariamente atendimento hospitalar, os baixos níveis de infecção por covid foram mais que um presente divino, foram a salvação dos hospitais. Rapidamente eles remanejaram seus leitos, dedicando um número maior para o combate à gripe porque a redução dos leitos destinados à covid não gerava nenhum impacto no sistema, em função da queda acentuada dos números da pandemia.

Aí a maré virou. A ômicron chegou com tudo e, ainda que saudada como uma benção pelo Presidente, ela está cobrando um preço elevado da rede de atendimento, já sobrecarregada pela gripe, que ainda não foi embora, e desabastecida de testes e outros equipamentos para combater a proliferação do novo surto de covid, que rapidamente alcançou os números mais altos do ano passado e, por enquanto, não dá sinais de que vá ceder nas próximas semanas.

O que torna o quadro mais complicado é que os sintomas da gripe e da covid são bastante parecidos e confundem as pessoas, que ficam sem saber se estão com covid ou gripe. O que é indiferente para o sistema de saúde, que tem que dar conta dos dois, sem recursos extras, sem testagem e tendo que lidar com mais uma campanha de desinformação patrocinada pelo Governo Federal.

Já foram reportados casos de pessoas que morreram vítimas da covid porque não encontraram lugar nas UTI’s lotadas. O Governo do Estado de São Paulo abriu centenas de novos leitos para enfrentar o surto da ômicron, mas ainda não se sabe se serão suficientes ou se haverá necessidade de mais. E a rede privada também está completamente lotada, com filas de espera de mais de cinco horas nos hospitais top de linha.

Para o sistema de saúde privado, notadamente para as operadoras de planos de saúde, o quadro é muito pesado. 2021 não foi leve. A pandemia entrou de sola e o atendimento dos procedimentos represados em 2020, somados aos atendimentos normais do ano, cobraram um preço caro delas. Agora, a soma da gripe com a ômicron aumenta a pressão sobre seus caixas. Mais do que nunca, é hora de prestar atenção.