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Evento da Zurich Seguros reforça protagonismo do seguro e da ciência na agenda climática

Sonho Seguro - 04 de Abril de 2025
Juntos pela resiliência climatica. Esta foi a conclusão do evento de Improve 2025, que reuniu na tarde do dia 3 de abril, no Hotel Palácio Tangará, em São Paulo (SP), representantes do governo, especialistas renomados em mudanças climáticas, líderes do mercado segurador, além dos executivos da Zurich do Brasil e exterior.

A CEO da Zurich Insurance Group para a América Latina, Laurence Maurice, destacou na abertura do evento o compromisso da seguradora em fomentar a resiliência climática em colaboração com a ciência, o setor público e as empresas. Desde que assumiu o cargo em outubro de 2020, Laurence tem liderado iniciativas para integrar sustentabilidade e inovação aos negócios da Zurich na região.

Durante sua fala, Laurence reforçou a importância de ações integradas para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Para ela, o papel das seguradoras vai muito além da transferência de risco: trata-se de apoiar ativamente clientes, comunidades e governos na construção de soluções duradouras. “Queremos estar presentes desde a concepção dos projetos, ajudando a desenhar iniciativas que resistam aos extremos climáticos e promovam o desenvolvimento sustentável”, afirmou.

A executiva também pontuou que a Zurich está há mais de 50 anos no Brasil e tem investido em equipes especializadas em energia e contenção de riscos. “Temos uma estrutura robusta, com profissionais preparados para apoiar nossos clientes na transição para um modelo mais resiliente e sustentável. É um compromisso de longo prazo com o país e com o planeta”, concluiu.

A ciência como base para decisões urgentes

O pesquisador Lincoln Muniz Alves, um dos autores do mais recente relatório do IPCC, levou ao Improve 2025 uma análise contundente dos impactos das mudanças climáticas no Brasil. Segundo ele, já não se trata de uma ameaça futura, mas de uma realidade presente, que afeta diretamente a vida das pessoas e a economia. “Eventos extremos como chuvas intensas ou secas prolongadas já atingiram 83% dos municípios brasileiros nas últimas décadas, gerando prejuízos bilionários”, destacou.


Lincoln lembrou que apenas 7% dos municípios possuem regulamentações voltadas para a resiliência climática e defendeu uma integração mais sólida entre ciência, setor privado e poder público. “A ciência leva anos para gerar dados consistentes, mas as decisões precisam ser tomadas para ontem. Só avançaremos se construirmos pontes entre o conhecimento técnico e as necessidades reais da sociedade”, disse.

Com décadas de experiência no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o pesquisador enfatizou a importância de ampliar o número de municípios adaptados às mudanças do clima. “Queremos que mais de 500 cidades estejam preparadas. Mas, para isso, precisamos de financiamento, inovação e, principalmente, transformação de mentalidades. É preciso senso de urgência. O clima já mudou, e as ações precisam acompanhar essa nova realidade”, alertou.

Group Chief Underwriting Officer da Zurich Insurance Company Ltd., Penny Seach trouxe ao evento a perspectiva global da seguradora sobre os impactos das mudanças climáticas. “Não é mais preciso provar que o clima está mudando. Na indústria de seguros, vemos os efeitos todos os dias — em sinistros, perdas, e na dificuldade crescente de acesso ao seguro”, afirmou. Em 2024, segundo ela, os desastres naturais geraram perdas econômicas globais de US$ 402 bilhões, dos quais apenas US$ 72 bilhões estavam segurados.

Penny alertou para a necessidade de a indústria repensar seu papel diante desse cenário. “Não basta repassar os riscos — precisamos atuar na mitigação e na construção de soluções resilientes. Se uma comunidade inteira é destruída por uma catástrofe, a retomada da economia local, da produção e até das operações das empresas seguradas se torna inviável no curto prazo. O seguro precisa ser parte da solução desde o início”, defendeu.

A executiva reforçou que a Zurich tem se posicionado de forma ativa no tema, com iniciativas concretas como a equipe de 12 especialistas no Brasil dedicada à geração de energia e gestão de riscos. “Nosso papel vai além da expertise técnica: queremos apoiar clientes e governos na criação de um sistema financeiro resiliente. É isso que garantirá o crescimento econômico sustentável e a segurança das comunidades”, concluiu.

CEO da WayCarbon, Felipe Bittencourt apresentou um panorama detalhado dos riscos e oportunidades relacionados à mudança do clima para o setor produtivo. Segundo ele, eventos extremos podem comprometer cadeias de suprimento, danificar estruturas e interromper operações. “O aumento do nível do mar, por exemplo, representa uma ameaça direta a empresas que operam em regiões costeiras”, observou. Só em 2024, o Brasil registrou perdas econômicas de US$ 9,2 bilhões, com impacto direto sobre obras de infraestrutura e unidades habitacionais.

Bittencourt também enfatizou a necessidade de inovação tecnológica e de mecanismos de financiamento para ampliar a adaptação e a mitigação. “O setor de seguros tem um papel essencial na redução desses riscos. Mas também é uma oportunidade: construções sustentáveis, investimentos em eficiência energética e novas regulações podem impulsionar produtos e serviços voltados à resiliência climática”, afirmou.

Penny afirma que a subscrição de risco precisa mudar. “Temos muitas experiências, mas sabemos que o clima tem mudado o mundo e  precisamos mudar a subscrição de risco e tentar ser mais preventivo em relação ao mundo”. 

Entre as medidas de adaptação propostas, ele destacou o planejamento estratégico com base em diagnósticos de risco climático, o incentivo à construção sustentável e a transição para uma economia de baixo carbono. “Mitigar riscos hoje é sinônimo de competitividade. As empresas que estiverem preparadas vão liderar a transformação”, concluiu.

Durante sua participação no Improve 2025, Daniel Godinho, diretor de sustentabilidade e relações institucionais da WEG, apresentou os avanços da companhia na redução de emissões de carbono e no fortalecimento da resiliência climática. A empresa conseguiu reduzir em 25% suas emissões entre 2021 e 2023, e já estabeleceu uma meta ambiciosa de cortar 52% das emissões até 2030, com o objetivo de alcançar o net zero até 2050. “É um baita resultado, fruto de um esforço coletivo e coerente, tanto de portas para fora quanto de portas para dentro”, ressaltou o executivo.

Godinho destacou que a WEG baseia sua estratégia climática em quatro pilares fundamentais: eficiência energética, eficiência operacional, energias renováveis e mobilidade elétrica. Segundo ele, a empresa já aprovou globalmente 867 projetos dentro dessas frentes, evidenciando que a soma de pequenas iniciativas pode gerar grandes impactos. “São ações aplicadas aos nossos processos e também aos produtos e soluções que oferecemos aos nossos clientes e parceiros”, afirmou.

A WEG também vem aprimorando seu sistema de gerenciamento de riscos climáticos, adotando práticas robustas de identificação de ameaças, avaliação de impactos e aplicação de melhorias para reduzir a exposição. A criação de planos de resposta a emergências é outro eixo fundamental. “Estamos olhando para os riscos com profundidade e responsabilidade. Queremos não apenas proteger nossos ativos, mas ajudar a construir uma rede de valor resiliente, que possa enfrentar os desafios das mudanças climáticas com agilidade e consistência”, concluiu Godinho.

Parceria entre setor público, empresas e seguros

A segunda parte do evento Improve 2025 foi marcada por um painel que reuniu representantes do governo, da Susep, da CNseg, do BNDES, do setor ressegurador e da secretaria nacional da mudança climática. As falas convergiram em torno de um ponto central: as mudanças climáticas já são uma realidade e exigem respostas urgentes, coordenadas e baseadas em dados para garantir a resiliência do Brasil e da sua infraestrutura.

Representando a Susep, Julia Normande destacou o papel das seguradoras como impulsionadoras da economia por meio da mitigação de riscos e do fomento à inovação em produtos voltados à sustentabilidade. Ela lembrou da Circular 666/2022, que estabeleceu marcos regulatórios importantes ao exigir critérios ESG nas práticas das companhias supervisionadas. “A regulação pode ser um motor de transformação e também um facilitador de produtos mais adaptados à nova realidade climática”, disse.

Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, a confederação das seguradoras, alertou que “a infraestrutura brasileira não está preparada” para os riscos extremos. Citou como exemplo a tragédia em Porto Alegre, em que nem mesmo os sistemas de bombeamento conseguiram dar conta da intensidade das chuvas. “O risco climático cresceu muito nos últimos anos. Ele já se tornou tão grande que, em alguns casos, é difícil fazer seguro”, afirmou. Oliveira defendeu a importância de regulamentações que estimulem, e não restrinjam, a atuação do setor, além da criação de um hub de dados climáticos para apoiar a modelagem de risco preditiva. “Temos que parar de olhar apenas para estatísticas do passado e avançar para modelos que nos preparem para o que está por vir.”

Pelo BNDES, Cláudia Prates, líder de Transição Climática da instituição, reforçou que a adaptação climática é tão ou mais urgente que a mitigação. Ela informou que o banco já investiu cerca de R$ 1,5 bilhão em projetos de adaptação e que 38% do que financia hoje está ligado à economia verde. “Com as ferramentas certas e parcerias com seguradoras, ministérios e setor privado, conseguimos viabilizar a transição climática. Mas é preciso avançar muito mais”, afirmou. Para Cláudia, o Brasil será um dos países mais impactados pelas mudanças climáticas, e os mais vulneráveis serão os mais atingidos. “A agenda climática não é só um desafio, mas também uma oportunidade de desenvolvimento”, declarou.

Rafaela Barradas, vice-presidente da Fenaber, reforçou o papel do resseguro na sustentabilidade financeira do setor. Ela alertou que, embora o Brasil não fosse tradicionalmente visto como um país de riscos catastróficos, isso está mudando. “Algumas resseguradoras já começam a tratar o Brasil com mais cautela, diante da frequência e intensidade dos eventos extremos recentes”, disse. Rafaela citou o uso de seguros paramétricos e técnicas avançadas de modelagem para apoiar empresas na transição e adaptação de seus portfólios. “Temos mais de US$ 2 trilhões em ativos financeiros no mercado. O capital está disponível e deve ser alocado onde for mais necessário para apoiar a resiliência climática.”

André Andrade, diretor da Secretaria-Executiva do Ministério do Meio Ambiente, destacou a ausência da precificação de risco climático nos balanços públicos e a necessidade de criar mecanismos para a transferência desse risco ao mercado. “Temos de dobrar os investimentos em infraestrutura em relação ao PIB, mas isso precisa ser feito com qualidade e com o apoio do setor segurador”, afirmou. Ele reforçou a importância de medidas estruturais tanto de mitigação, como reflorestamento e energia renovável, quanto de adaptação, como sistemas agrícolas resilientes, infraestrutura urbana e sistemas de alerta.

O encerramento do evento ficou a cargo de Edson Franco, CEO da Zurich no Brasil e anfitrião do Improve 2025. Em seu discurso, ele reforçou que o objetivo central do encontro foi promover uma discussão ampla e plural sobre a resiliência climática, reunindo atores da sociedade civil, setor privado, governo e comunidade científica. “As mudanças climáticas já estão em curso. Agora, o foco precisa ser em aumentar o nível de resiliência das pessoas, das empresas, das cidades e do Estado”, afirmou.

Para Edson, não existe uma solução única para os desafios climáticos. “As soluções precisam ser cooperadas, integrando diferentes ferramentas e saberes. Fiquei impressionado com as ferramentas de modelagem e bancos de dados apresentados por representantes do governo e do BNDES. Elas podem ser complementares às que o setor segurador já utiliza na precificação e subscrição de riscos”, disse.

O executivo pontuou que o risco ambiental é hoje um dos principais a ser modelado pelas seguradoras, e que o setor precisa assumir seu protagonismo na construção de um país mais resiliente. “Esse é um tema inerente ao mercado de seguros, e não podemos ser apenas espectadores. Temos o dever de participar ativamente do desenho das soluções”, ressaltou.

Concluindo sua fala, Edson Franco reforçou que a Zurich continuará liderando esse debate no Brasil e seguirá investindo em soluções, conhecimento e parcerias para enfrentar os efeitos da crise climática. “O Improve 2025 foi apenas o começo de um movimento necessário e contínuo. O setor segurador tem um papel essencial na adaptação, mitigação e financiamento da transição climática — e está pronto para cumpri-lo.”