Antonio Penteado Mendonça
Antonio Penteado Mendonça

Sócio de Penteado Mendonça e Char Advocacia e Presidente da Academia Paulista de Letras

UM AUXÍLIO RELEVANTE

O negócio de uma seguradora é aceitar riscos e, quando for o caso, pagar as indenizações decorrentes dos eventos cobertos que causem prejuízos aos seus segurados. 21 de Março de 2025

O negócio de uma seguradora é aceitar riscos e, quando for o caso, pagar as indenizações decorrentes dos eventos cobertos que causem prejuízos aos seus segurados. Para isso, a seguradora gerencia um fundo composto pelo preço pago proporcionalmente ao risco de cada um pelos seus segurados. Para calcular o preço do seguro a seguradora se vale de tabelas atuariais e estatísticas, que lhe dão os parâmetros puros (ou sem carregamento) para precificar suas apólices. Sobre este preço puro, a seguradora lança as variáveis de cada segurado, agravando ou desagravando o preço, de acordo com cada risco apresentado, e assim definindo o preço de cada seguro comercializado.

A forma de verificar o desempenho de uma seguradora é através do resultado do seu underwriting, ou subscrição dos riscos. O máximo que a seguradora obtém ao comercializar um seguro é o preço deste seguro, que, no caso, corresponde a cem pontos. Destes cem pontos a seguradora abate um determinado número de pontos para os sinistros, outro para as despesas comerciais, outro para as despesas operacionais, para os custos com resseguros e impostos. Se esta conta der menos do que cem, a seguradora está ganhando dinheiro no negócio puro, com a aceitação de riscos, sem outra influência, senão a precificação de suas apólices. É o resultado industrial, que nem sempre é fácil de ficar no positivo. Mas a seguradora tem outra ferramenta para incrementar seu resultado: a aplicação de seus ativos no mercado financeiro.

Uma companhia de seguros é uma gestora de fundos mobiliários, compostos pelo preço da venda das apólices de suas diferentes carteiras de seguros. Cada carteira tem uma conta específica, destinada a não misturar riscos diferentes e resultados diferentes. Incêndio é incêndio, automóvel é automóvel, roubo de celular é roubo de celular etc. Cada risco tem particularidades próprias, que não permitem que sua precificação e gestão de indenizações sejam feitas num único e enorme bolo, misturando todos os seguros aceitos. Não é assim que funciona. Mas a aplicação destes recursos pode e deve ser feita dentro de uma visão de conjunto, levando em conta as diferentes tipicidades de cada negócio, começando pela frequência e valor médio das indenizações. Sabendo isso, a seguradora vai a mercado e aplica seus enormes recursos, obtendo invariavelmente uma taxa de remuneração acima da média. Estes recursos são utilizados para completar o resultado industrial e muitas vezes mudam para melhor o desempenho da companhia, que, no resultado operacional (a soma do resultado industrial com a remuneração do capital), consegue reverter um eventual prejuízo gerado pela aceitação pura dos riscos. Este resultado fica melhor cada vez que a seguradora consegue uma remuneração mais alta para suas aplicações.

Neste sentido, no cenário atual, com a taxa Selic acima de 12% ao ano e com expectativa de chegar a 15% em dezembro, as seguradoras estão sendo francamente favorecidas pela política de juros altos praticadas pelo Banco Central para tentar conter a inflação.

As seguradoras que têm uma gestão eficiente, com o underwriting positivo, terão um lucro extra, que pode ser usado para turbinar o resultado ou até para reduzir o preço de suas apólices e aumentar o número de segurados. E as que não têm um desempenho tão eficiente podem melhorar seus balanços, somando o extra decorrente dos juros altos ao seu resultado final e assim melhorar um desempenho que com juros baixos não seria tão bom.